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“Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…”
Fernando Pessoa
Submersos na rotina exaustiva, quando encontramos um pouquinho de tempo não sabemos nem o que fazer! No meio de toda essa correria, o barulho que nos deixa tão ensurdecidos faz com que não tenhamos sensibilidade pra capturar o que está nas entrelinhas, capturar o que está distante da racionalização e assim seguimos vivendo robotizados no meio de tantas informações ao ponto de não termos tempo pra escutar o indizível. Assim seguimos anestesiados emocionalmente, opacos ao ponto de desejarmos sempre estar acompanhados, ocupados com tarefas onde o tempo é curto pra abrir espaço para fazer um mergulho nas nossas águas profundas que muitas vezes estão turvas e revoltas.
Neste caso, o silêncio pode ser um espaço acolhedor nos nossos momentos de incerteza, mas se esse angustiante espaço se não for acolhedor, o que faremos? Tentaremos preencher com qualquer coisa seja relações vazias, drogas e etc. ( sem moralismos, lógico!), todavia lembremos que onde há angústia também há vida, há desejo!
Porém é possivel reconhecer, experimentar e acolher nossas próprias vulnerabilidades suportando o silêncio para que neste espaço vazio floresça novas possibilidades e como diz Conceição Evaristo: “há mundos submersos,
que só o silêncio da poesia penetra.”